Terceira esquina

Como se não bastasse tudo o que lhe incomodava, outra vez ele se via em uma situação conflitante. Depois da estadia na velha pensão da senhora gorda, não conseguia decidir onde iria se alojar, mesmo tendo várias opções. Estava deslumbrado com a beleza e a simplicidade do apartamento que conseguiu no Brooklyn, porém era longe demais de todos os seus objetivos, por outro lado, a possibilidade de morar de graça duas quadras à frente da pensão, sem ter que mudar de vida novamente, parecia muito mais confortável.
Por trás desse conflito, aparentemente banal, estavam suas ideologias enfraquecidas, sua covardia e seu comodismo. Isto o fez lembrar de quando era criança, não conseguia descer a rampa que todos os seus amigos desciam de bicicleta, acabou se aventurando, pela primeira vez, por causa de um empurrão. Então ele percebeu que as angústias nada tinham a ver com onde iria se alojar… Beirando os trinta anos de idade, ainda se considerava um nômade, sem um amor que o prendesse ou fizesse ele ir atrás.

A ficha caiu e ele precisava urgentemente de um empurrão…

2 thoughts on “Terceira esquina

  1. concordo com chandra, tava pensando nessa resposta ainda hoje de manhã.
    beijo grande cacto verde!
    😀

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