Entrevista: Ubiratan Castro


Professor Ubiratan Castro - Fotos: Rita Barreto/Setur
Professor Ubiratan Castro - Fotos: Rita Barreto/Setur

O ano começou com a triste notícia da morte do professor Ubiratan Castro, nesta quinta-feira (3), após uma longa batalha contra problemas renais. Em setembro de 2010, tive o prazer de entrevistar o professor para a Revista Viver Bahia. O então presidente da Fundação Pedro Calmon falou sobre a influência dos negros na formação da cultura baiana e como essa herança africana desperta o interesse de turistas do mundo inteiro. Em homenagem a esse grande pesquisador e pensador da cultura brasileira, resgatei a entrevista na íntegra, confiram:

por Eduardo Pelosi

Declaradamente apaixonado pela história e pela cultura do negro no Brasil, o professor Ubiratan Castro é formado em Direito e História, mas acabou dando prioridade a sua paixão. Hoje, é Doutor em História pela Université de Paris IV, membro da Academia de Letras da Bahia e presidente da Fundação Pedro Calmon. Durante sua trajetória, escreveu livros como “Salvador era assim. Memórias da cidade”, “A Guerra da Bahia” e “Sete Histórias de Negros” e presidiu a Fundação Cultural Palmares.

Viver Bahia – O senhor hoje é um dos maiores especialistas na história do povo afrodescendente da Bahia. Como surgiu o interesse em estudar a história do negro?
Ubiratan Castro – Como sou de uma família negra baiana, que veio da zona da escravidão, desde cedo me interessei pelo assunto. As histórias da escravidão permearam na minha cabeça desde pequeno, como história de família e aquela coisa da resistência. Fui educado para levantar a cabeça, ir pra frente e não aceitar marginalidade. Ter nota boa na escola era uma obrigação, a educação seria então o nosso único caminho. Então cresci sabendo que tinha que estudar muito, tirar nota boa, porque se não fosse bom aluno, não teria chance, sendo eu um negro. Dedicar-me a esse tema foi então um impulso. Depois, vieram os estudos sobre a escravidão, com a doutora Kátia Matoso, a maior historiadora do Brasil sobre o século XIX. Ela me chamou para trabalhar com ela no tema da escravidão, então eu entrei nessa linha de pesquisa de história econômica da escravidão, história social da escravidão, e depois passei à história social e política da escravidão.

VB – Na sua opinião, como os negros influenciaram a construção da cultura e da democracia baiana e brasileira?
UC – A Bahia tem uma população de 70% de descendentes de africanos, nas várias tonalidades de pele, mas todos portadores dessa mensagem cultural. Trata-se de uma cultura de várias Áfricas, porque não há uma África só. Somos descendentes de negros de várias áreas africanas, cada uma com sua história milenar. Temos aqui a herança de Angola, do Benin, do Senegal, de Moçambique. Enfim, tudo isso se amalgama aqui na Bahia e transcende para uma cultura diaspórica, através do contato com os índios e brancos. Essa cultura negra dá exatamente o ponto de diferenciação do Brasil para Portugal, por exemplo. O Brasil não é o Portugal diferente, ele tem essa matriz portuguesa forte do colonizador, mas toda diferença do Brasil é dada por essa cultura negra. No momento em que a África começa a se levantar, não só a África do Sul, mas também Angola, Moçambique, Senegal, enfim, a Bahia passou a ser um local natural de contato cultural e de articulação com a África. Essa diversidade baiana atrai toda uma curiosidade de visitantes estrangeiros. A Bahia é sedutora para o mundo porque ela é original, ela tem esse ponto original de convergência, de interação, de influência cultural e isso tem um valor fundamental, que é o valor turístico. Desde os anos 40, quando Jorge Amado começou a difundir pelo mundo inteiro os seus livros, falando do povo baiano, com a sua cultura negra embutida, com os costumes, a sua alegria, a sua irreverência, vários turistas têm sido atraídos pra cá e muitos deles viraram baianos. Se você reparar, foi por causa de Jorge Amado que Pierre Verger veio para a Bahia. Ele era um viajante do mundo e veio aqui para ver a terra dos livros de Jorge Amado; chegou aqui, se encantou e ficou. Carybé, argentino, veio para a Bahia, se encantou e ficou. Enfim, esses são alguns exemplos de grandes nomes que vieram como turistas, apaixonaram-se pela terra e ficaram aqui. Sem contar os milhões que vieram e voltaram aqui, turistas que ficaram fiéis, que vêm regularmente à Bahia. Além disso, o Brasil inteiro vem aqui buscar a referência do começo do Brasil, do berço do país que nasceu aqui.

VB – E isso tudo influenciou nossa cultura religiosa também?
UC – Tem uma coisa muito interessante em termos de cultura negra. Você sabe que o candomblé é natural do Brasil, ele se fundamenta em cultos africanos, mas a organização do candomblé, com vários orixás juntos, como religião, é um fenômeno brasileiro. Muito dos candomblés, das casas de santo de São Paulo e do Rio de Janeiro foram buscar referências na África, viajaram para lá e simplesmente não encontraram candomblé naquele continente. Encontraram o culto de Xangô, de Ogum. No lugar que tem Ogum não tem Xangô, onde tem Xangô não tem Oxalá. Ou seja, lá existe o culto a um orixá específico em cada localidade, bem diferente do nosso candomblé. Chegou-se, então, à conclusão que a matriz, a Roma do candomblé, é a Bahia. Então, a partir dos anos 70, todos os grandes terreiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outros estados, vêm para a Bahia buscar inspiração, buscar axé e criar uma relação com as casas daqui, como casas matrizes de um candomblé brasileiro. A Bahia tem esse papel matricial, em matéria de tradição religiosa, em matéria de Carnaval. Ou seja, somos uma referência internacional.

VB – Essa cultura africana ajudou a moldar esse modo de vida denominado baianidade?
UC – São muitos os aspectos que essa cultura nos trouxe para moldar essa baianidade. A primeira delas é a característica de uma civilização solar. Nós não temos aquela coisa europeia do inverno, do corpo coberto, de nos protegermos do frio. Gostamos de andar ao ar livre, tomando sol, nos bronzeando com luz e com uma grande exposição. O baiano, de certa forma, é até meio narcisista. Aqui a galera gosta de se mostrar, mostrar o corpo, desfilar, ser aplaudido. Enfim, essa coisa de fora, da extroversão, diferente de outras civilizações caracterizadas pela introversão, até por causa do próprio clima. Os africanos também têm isso, andar nu não é só sacanagem, andar nu é se sentir bem e ser banhado pelo sol, absorver vitamina, mergulhar, tomar banho de mar, essas coisas. Tem outra característica muito própria da África, que é a cultura do “passa a mão”. Se você reparar, um padrão estético-erótico grego, europeu, é da contemplação. Afrodite é bela e ficamos encantados olhando para Afrodite, numa espécie de cultura voyeur, de olhar, de ver revista de mulher nua, de ver desfile. Nesse contexto, a visão é fundamental para se encantar. Na cultura africana que veio para cá, principalmente dos negros nagôs, o que dava excitação nos homens africanos não era olhar, o que faz eles se excitarem é pegar, é colocar a mão para ver como é. O Carnaval é o nosso roça-roça eterno, você tromba, esfrega, passa a mão, você toma tapa, troca beijo. Enfim, do corpo falar por você. Quando encontramos um amigo, nos abraçamos, nos beijamos, sem ter nenhum aspecto sexual. Para nós, é normal beijar os amigos, os parentes, os colegas. Mas essas coisas já não são normais em outras civilizações, onde as pessoas carregam uma espécie de redoma em torno do próprio corpo, mesmo quando está todo mundo espremido num metrô; em Paris, por exemplo, fica todo mundo apertado no metrô, como numa lata de sardinha, mas todos estão se “defendendo” do contato com o outro. Localizei em uma documentação da chegada dos africanos na Bahia, que fala das tatuagens e das escarificações, que são tatuagens feitas com queimaduras, que levantam uma cicatriz e formam aqueles queloides. Encontrei uma descrição da alfândega na Bahia, com a descrição do corpo das moças africanas, elas tinham um corpo todo bordado com essas cicatrizes, em volta dos seios, pelas costas, nas partes mais íntimas. Todos esses bordados no corpo eram feitos como preparação para o casamento, porque o que dava excitação para os maridos era ir passando a mão no corpo das mulheres e acompanhando esses bordados.

VB – Nos últimos anos, nosso patrimônio cultural e artístico vem sendo recuperado. Como o senhor acha que essas restaurações valorizam o turismo e atraem visitantes?
UC – Salvador é uma cidade portadora de uma arquitetura colonial. Considerando que ela foi capital do Brasil até
1763, aqui se instalaram os primeiros prédios públicos, igrejas, a própria cidade foi importante para o comércio e a indústria açucareira até o século XX. Então ela tem uma das áreas urbanas mais representativas do Brasil, desde o barroco colonial, e eu acho que é um trabalho permanente a preservação, reparação, manutenção e cuidado com esse patrimônio material. Por exemplo, a Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, no Pelourinho, é uma igreja que vem desde 1700, de uma irmandade que surgiu em 1680. É um dos prédios mais visitados do Pelourinho, então a recuperação é algo que é fundamental para o turismo da Bahia. É uma coisa muito preciosa, você reavivar, preservar a beleza original e acima de tudo a estrutura. Outra restauração importante foi a do Palácio Rio Branco. Aquilo ali é a história do poder, foi a primeira casa de governador do Brasil. Abrigou o governador-geral, em 1549, quando ainda era feita de taipa e sofreu vários processos de expansão e de consolidação. Já nos anos de 1600, o palácio ganhou uma construção de pedra e cal. Depois, ele passa por todo um período republicano, quando foi refeito. Em 1912, teve o bombardeio que incendiou o prédio todo. O palácio foi reconstruído nessa forma atual, num estilo eclético francês da Belle Époque. Agora foi recuperado nos seus detalhes originais e ficou muito bonito. O turista que vai ao Palácio Rio Branco está em busca de uma referência histórica da Bahia, tanto que nós temos lá o Memorial dos Governadores, onde se encontram fotografias de todos os governadores e seus respectivos objetos pessoais. Nossa intenção é fazer daquilo um memorial da Bahia, moderno e digitalizado, como o Memorial JK.

VB– O que faz com que a Bahia se destaque como um dos principais destinos turísticos do mundo?
UC – A Bahia tem o que mostrar, tem sua originalidade, é um pouco do que dizia Milton Santos: “Uma nova globalização é aquela que se tem articulação internacional, mas também afirma e mantém suas características locais.” Então a Bahia não procura imitar Nova York, nem é nenhuma Buenos Aires, que copia e imita as cidades europeias. A Bahia tem seu jeito de ser, seus becos, seus costumes e abre isso para o mundo inteiro. Então, essa força da cultura local, que se integra com o mundo, nem todos os lugares tem isso. A Bahia é cosmopolita sem ser colonizada, sem ser uma cópia, essa originalidade é que atrai as pessoas. Quem vem da Europa e dos Estados Unidos quer saber como é viver nos trópicos, viver numa África que não é a África, que não tem a pobreza da África, que tem todos os recursos de comunicação, de saúde, mas que é africana. Essa identidade forte da Bahia é que atrai essa curiosidade e oferece uma alternativa de vida para quem está numa rotina europeia e americana, aquela rotina feroz do trabalho. Então, um italiano não vem aqui pra encontrar a Itália, ele vem para encontrar algo diferente, vem encontrar a Bahia. Essa nossa individualidade é um produto internacional, essa identidade local muito forte que se integra, que convive e sofre influência a todo o momento. Se você olhar o Carnaval e o Axé, de repente o pessoal absorveu a cultura da guitarra, da eletrificação, essa cultura que surge com o Iê-iê-iê, com o blues, a gente não reprocessou e ficou aqui fazendo blues, fazendo rock e começamos a devolver como Axé. O reggae, que veio de fora, foi reprocessado e virou samba-reggae. Então, essa é uma coisa que encanta outros países. Temos o samba brasileiro, mas é um samba diferente, quando chega na Copa do Mundo, a Globo tem que colocar o Olodum no Pelourinho, porque o samba-reggae é do Pelô, isso é muito próprio da Bahia. Eu sei que é um discurso afirmativo, mas eu sou um ativista afirmativo. O baiano não é lerdo, ele faz as coisas no tempo certo. A Bahia tem um patrimônio característico que é o povo baiano, seu modo de ser é que é seu grande patrimônio, além do patrimônio material. As pessoas vêm aqui para conhecer o povo baiano, temos praias bonitas, mas também temos o povo que está na praia. Tanto que hoje existe uma exportação desse modo de comportamento; tenho uma amiga que diz: “Baiano hoje não é mais indicativo de naturalidade, baiano hoje é um modo de ser brasileiro”. O turista passa um tempo aqui e volta para casa meio baiano. Esse é um patrimônio que é referência nacional e internacional. E vender esse destino, ao mesmo tempo que é difícil, é muito gratificante e muito mais fácil, tudo que temos aqui é atraente e duradouro.

Cinema oferece camas e travesseiros como opção de assento

Que tal ir ao cinema, ter a opção de assistir ao filme deitado em camas duplas e ainda pagar um pouco mais barato? Essa é a novidade oferecida pelo Electric Cinema, em Londres, que foi reinaugurado nesta semana. O espaço é conhecido como o cinema mais antigo da cidade, com 102 anos, e sofreu uma reforma completa após sofrer um incêndio em junho.

Ao todo, são seis camas duplas na primeira fila e três na última, ideal para quem quer assistir ao filme no maior conforto. Os ingressos para quem escolher essa opção são vendidos apenas em pares e custam o equivalente a R$ 45. Quem quiser ir sozinho, também terá muito conforto ao sentar em uma das 65 poltronas de veludo. O Electric Cinema também oferece um bar dentro da sala com comidinhas e vinho, tudo para tornar a experiência mais interessante.

Agora ficou mais fácil criar um clima romântico dentro do cinema ou, se o filme estiver chato, dormir durante a sessão. Só resta torcer para que a novidade chege logo no Brasil!

Jornais brasileiros homenageiam Niemeyer com simplicidade

Se antigamente diziam que jornal de ontem só serve para embrulhar peixe, o que falar dos jornais do dia nos tempos de internet? Na era da web, as notícias que estampam as capas dos jornais, todos os dias, trazem notícias “velhas”, que já lemos no dia anterior, antes de dormir. Nesta quinta-feira (6), a história não foi diferente. Jornais de todo o Brasil e do mundo estamparam a morte do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que aconteceu ontem a noite.

Famoso por grandes obras arquitetônicas como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, o planejamento e a construção de Brasiíla e o Memorial da América Latina, em São Paulo, Niemeyer tinha como marca a simplicidade, as curvas e o design minimalista e arrojado.

Alguns jornais brasileiros se inspiraram em Niemeyer e montaram belas capas para a edição de hoje, fazendo do impresso algo mais do que um caderno de notícias velhas. Confiram:

Jornal Correio*, Salvador - Bahia
Jornal Correio*, Salvador - Bahia
Correio Braziliense, Brasília - Distrito Federal
Correio Braziliense, Brasília - Distrito Federal
Jornal de Brasília - Brasília, Distrito Federal
Jornal de Brasília - Brasília, Distrito Federal
Jornal O Povo - Fortaleza, Ceará
Jornal O Povo - Fortaleza, Ceará

 

Definitivamente, capas que enchem os olhos! Qual a sua preferida?

 

 

At the Drive-In: um sonho adolescente, onze anos depois

O guitarrista Omar Rodríguez-Lopez e o vocalista Cedric Bixler-Zavala, no início da carreira, ainda sem as famosas cabeleiras
O guitarrista Omar Rodríguez-Lopez e o vocalista Cedric Bixler-Zavala, no início da carreira, ainda sem as famosas cabeleiras

A cidade de El Paso, no Texas, fica exatamente na tensa fronteira dos Estados Unidos com o México. Um dos pontos onde diariamente milhares de mexicanos tentam atravessar uma das pontes sob o Río Bravo del Norte para viver o sonho americano. Em 1993, exatamente em uma das zonas mais monitoradas da fronteira americana, dois jovens americanos (um deles de origem hispânica) montam uma banda de post-hardcore com melodias nervosas, carregadas de energia e letras complexas, furiosas e com um vocabulário que poderia ter sido retirado de um livro médico. Com um EP chamado Hell Paso – batizado com um dos apelidos da cidade de onde vieram – Jim Ward, guitarrista, e Cedric Bixler-Zavala, vocalista, lançaram o At the Drive-In, grupo que sete anos mais tarde venderia cerca de um milhão de cópias com o álbum Relationship of Command.

Essa é uma das bandas que marcaram a minha adolescência e que eu ouvi, por incontáveis vezes, os riffs inovadores, os gritos rasgados, a bateria descontrolada e o baixo marcante com letras que desafiavam qualquer um que se atrevesse a traduzir. No palco, o que mais traduzia a atuação da banda era o descontrole.

O grupo chegou a vender cerca de 1 milhão de cópias com o seu terceiro álbum, Relationship of Command
O grupo chegou a vender cerca de 1 milhão de cópias com o seu terceiro álbum, Relationship of Command

Os integrantes do grupo se equilibravam na linha tênue que separa o espetáculo do caos. Microfones lançados ao alto, guitarras imprensadas nos amplificadores, que por sua vez caíam no chão, tudo isso fazia do show um verdadeiro terremoto. Eu via e revia vídeos de algumas performances da banda onde tudo isso acontecia e, no final, todos saíam vivos.

Infelizmente, como tudo que é muito intenso na história do rock, o grupo se separou em 2001 e deixou os fãs sedentos por mais umas doses de toda aquela vibração sem controle. Dois dos integrantes do grupo, Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodríguez-López fundaram o The Mars Volta e o resto dos integrantes seguiram com uma nova banda, Sparta. Duas excelentes iniciativas, mas que seguiram por caminhos diferentes do que era o At the Drive-In.

Para a surpresa de todos os fãs, em 2012 os integrantes do grupo anunciaram uma turnê de reunião, que incluiria dois shows no Coachella Festival, uma apresentação na Austrália e duas na Inglaterra (Reading e Leeds Festival). A repercussão foi tão grande que outros festivais pagaram o preço para levar o grupo e a rota da turnê foi esticada para Espanha, Japão, França e outros três shows nos EUA.

Quando recebi a notícia, fiquei logo empolgado pois, como estava morando na Inglaterra, teria a oportunidade de assistí-los em uma das duas apresentações no país. Quem já teve a oportunidade de ir a algum festival na Europa ou nos Estados Unidos sabe como é caro e difícil conseguir arcar com os ingressos, hospedagem, transporte e etc. Na ponta do lápis, aproximadamente 600 libras, o que equivale a cerca de R$ 1.800. Depois de fazer as contas, fiquei no dilema entre torrar um dinheiro que me faria muita falta e realizar um sonho adolescente.

Quando já estava quase desistindo de torrar toda essa grana, uma amiga me avisa: O At the Drive-In marcou um show extra aí em Londres! Corri para comprar o ingresso, que me custaria apenas 30 libras (R$ 90). A surpresa foi ainda maior quando vi que a data do show era exatamente a minha última noite em Londres, surreal!

Na entrada do Brixton Academy, o aviso: At the Drive-In - Sold out! Foto: Eduardo Pelosi
Na entrada do Brixton Academy, o aviso: At the Drive-In - Sold out! Foto: Eduardo Pelosi

Finalmente, no dia 28 de agosto de 2012, saí de casa em direção ao famoso Brixton Academy, acompanhado de um grande amigo que também é fã da banda. Dentro da casa de show, um clima de nostalgia, ansiedade e nervosismo envolve todo mundo que esperava impacientemente pelo início do show. “Eu nem acredito que vou conseguir ver esses caras de tão perto!”, confessa um inglês encostado na grade que separa o público do palco.

Fortes luzes azuis se acendem, uma música que poderia ser a trilha sonora do momento mais tenso de um filme de faroeste começa a tocar e, assim, nesse clima de tensão, os integrantes do At the Drive-In sobem ao palco. “Bom dia, Miami!”, brinca Cedric que corrige logo em seguida: “Brixtooooon!”. Seguido pelas guitarras de Jim Ward e Omar Rodríguez-Lopez em microfonia e holofotes piscando intensamente.

Logo de cara, o agito das maracas carregadas por Cedric e o rufar da bateria de Tony Hajjar anunciam Arcarsenal, uma das músicas mais intensas do grupo. Uma multidão de punhos cerrados acompanham a introdução. Em segundos, o público explode em êxtase junto com a banda. Cedric ensaia alguns de seus passos epiléticos e o show segue com todo o vigor.

O ritmo só diminui um pouco antes da quarta música. Cedric recorre a sua caneca – que devia conter algum chá alternativo ou algum drink com energético – e a bela melodia ensaiada por Omar anuncia que a música a seguir é Napoleon Solo. Como filmei esse trechinho, vou poupar vocês de descrições:

At the Drive-In mostrou que, mesmo depois de 11 anos separados, ainda tem energia de sobra no palco - Foto: Eduardo Pelosi
At the Drive-In mostrou que, mesmo depois de 11 anos separados, ainda tem energia de sobra no palco - Foto: Eduardo Pelosi

O show seguiu com hits dos três discos da banda. Entre eles, Quarentined, Enfilade, Chanbara, Pickpocket e Cosmonaut. Durante todo o espetáculo, o que mais me surpreendeu foi a vontade e a satisfação expressa nos sorrisos dos músicos a cada explosão do público. No palco, o único que parecia meio deslocado de toda aquela celebração era Omar, que, apesar de garantir todos os solos perfeitamente, não se mostrava empolgado e se manteve um pouco mais distante dos outros integrantes do grupo.

Apesar de muito empolgado, o público inglês não costuma realizar mosh pits (aquelas famosas rodinhas de shows de rock). No Brixton Academy tem até uma placa dizendo que é proibido. Só que dessa vez, niguém poderia controlar a vontade que estava guardada por mais de dez anos. Assim como quem guarda o melhor pedaço do jantar para comer por último, o At the Drive-In lançou mão do seu maior hit, One Armed Scissor, no final do show e o descontrole se tornou lei no palco e nas várias mosh pits que surgiram na plateia.

“Levamos 12 anos para terminar a turnê Relationship of Command, esse foi o nosso último show”, confessa Cedric, vocalista da banda, com um sorriso de satisfação. O guitarrista Jim Ward, antes de sair do palco, complementa: “Eu amo esses caras mais do que a vida”.

Saí de lá com a alma lavada e com apenas uma certeza: o Rock é isso!

Grupo de El Paso, Texas, encerrou a sua turnê de reunião em Londres - Foto: Eduardo Pelosi
Grupo de El Paso encerrou a sua turnê de reunião em Londres - Foto: Eduardo Pelosi

Setlist

  1. Arcarsenal
  2. Pattern Against User
  3. Lopsided
  4. Sleepwalk Capsules
  5. Napoleon Solo
  6. Quarantined
  7. Enfilade
  8. Rascuache
  9. 198d
  10. Chanbara
  11. Metronome Arthritis
  12. Pickpocket
  13. Non-Zero Possibility
  14. Cosmonaut
    Bis:
  15. Catacombs
  16. One Armed Scissor

A minha cobertura sobre Londres durante os jogos de 2012

A partir de hoje, farei a cobertura completa de como Londres se transformou na Cidade Olímpica, quais as soluções encontradas pelos ingleses para receber um evento tão grandioso e tudo o que acontece na cidade durante os jogos. Tudo isso você acompanha no site Cidade Olímpica: www.cidadeolimpica.co.uk .

Palco das Olímpiadas de 2012, Londres investiu pesado para construir, reformar e adaptar mais de 30 locações que vão receber competições de 26 esportes. Para receber os jogos, a cidade ganhou uma nova Vila Olímpica, que foi cuidadosamente planejada para ser erguida na região de Stratford, subúrbio industrial que estava em degradação nas últimas décadas. Somente o parque olímpico, ocupa uma área equivalente a 357 campos de futebol.

Esta será a terceira vez que a cidade receberá os jogos, que movimentam aproximadamente 14 bilhões de reais na economia local. Mais de oito milhões de pessoas vão comparecer aos eventos esportivos e a expectativa é que a cerimônia de abertura seja assistida por 4 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Namoradinha da França: Valérie, mulher de Hollande, promete ter forte influência no novo governo

Eduardo Pelosi, direto de Londres
Francois Hollande e Valerie Trierweiler - Foto Mathieu Delmestre-Divulgacao
Francois Hollande e Valerie Trierweiler - Foto Mathieu Delmestre-Divulgação

Com a posse do novo presidente francês François Hollande, hoje, o palácio presidencial em Quay d’Orsay receberá também uma nova primeira-dama. Valérie Trierweiler é jornalista, tem 47 anos, e durante a campanha eleitoral mostrou que é uma mulher de personalidade forte, independente e deve influenciar nas decisões do novo governante.

O sorriso simples, os cabelos castanhos e o figurino básico não parecem combinar com o apelido de “Rotweiller”, que ganhou dos adversários de Hollande, e muito menos com o título de “Dama de Ferro” – que faz referência à ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher – dado pela imprensa europeia.

Valérie declarou à TV francesa Canal+ que não sabe exatamente qual será seu papel e não encontrou nenhuma “escola para primeira-dama”. Já ao The Times, ela disse que não será apenas “um enfeite”, o que foi considerado pelos franceses como uma crítica exagerada ao estilo da sua antecessora, a ex-modelo Carla Bruni.

Durante a campanha eleitoral, Valérie atuou ativamente como conselheira do então candidato e trabalhou no escritório da campanha de Hollande. É atribuída a ela a grande mudança na aparência do novo presidente da França, que emagreceu mais de dez quilos, passou a usar ternos mais modernos e abandonou os óculos de armação quadrada durante os últimos meses.

Segundo o The Telegraph, Valérie orquestrou, inclusive, o beijo que Hollande deu nela na celebração da vitória eleitoral, o que foi considerado um comportamento fora do estilo do novo presidente.

Namoro

Francois Hollande e Valerie Trierweiler - Foto Mathieu Delmestre-Divulgação
Francois Hollande e Valerie Trierweiler - Foto Mathieu Delmestre-Divulgação

Esta será a primeira vez na história que um presidente francês assumirá o posto sem ser casado oficialmente. Mas a situação, que pode gerar entraves diplomáticos em visitas de Hollande a países mulçumanos ou ao Vaticano – que possuem regras mais duras com relação ao casamento -, não é uma preocupação para a nova primeira-dama e também não tem sido vista como um problema pelos franceses.

Valérie tem origem em uma família bem mais humilde do que as outras primeiras-damas francesas. Apesar de seu avô ter sido dono de um banco no sudoeste da França no início do século XX, quando ela nasceu, em 1965, o banco Massonneau Angevine & Co. já havia sido vendido quinze anos antes e a herança dissolvida entre os familiares.

Ela foi a quinta de seis filhos de um pai inválido e uma mãe que trabalhou como funcionária de uma pista de patinação, e viveu toda a infância em Angers, há 300 quilômetros de Paris, numa residência para famílias de baixa renda mantida pelo governo.

Ambiciosa, decidiu estudar Ciências Políticas na Universidade de Sorbonne e começou a carreira jornalística em 1988, na extinta revista Profession Politique.

Atuou no jornalismo político durante mais de 20 anos, dos quais em grande parte trabalhou para a revista semanal Paris Match. Valérie foi casada duas vezes e teve três filhos com o seu segundo companheiro, o jornalista Denis Treirweiler.

Curiosamente, uma das suas entrevistas mais marcantes foi publicada em 1992, com Ségolène Royal – então ministra do Meio Ambiente – que era casada com François Holland e havia se tornado a primeira francesa a dar à luz enquanto ocupava um cargo de ministra. O relacionamento de Hollande com Valérie se tornou público em 2010, quando ele declarou que ela era a mulher da vida dele.

Entretanto, a relação dos dois é apontada pela mídia francófona como a causa do fim do casamento de 30 anos entre ele e Ségolène, em 2007.

Reviravolta

Em entrevista à BBC de Londres, a nova primeira-dama confessou que até hoje se surpreende com a extraordinária reviravolta em sua vida. “Eu me tornei assunto do que antes eram minhas reportagens. É como naqueles filmes onde uma pessoa atravessa a tela do cinema e se torna parte da história”, comentou Valérie.

A inversão de papéis parece não ser tarefa fácil para a companheira do presidente Hollande. Durante a campanha eleitoral, chegou a enviar mensagens criticando duramente antigos colegas de profissão e se desentender com equipes de reportagem que seguiam seus passos e faziam plantão na porta da sua casa.

Quando descobriu que era a personagem na capa da Paris Match, revista para a qual trabalhava, declarou, através da rede social Twitter, que estava chocada em descobrir que suas fotos foram usadas sem a sua autorização ou sem sequer ser comunicada. Ela criticou o enfoque machista da matéria e exclamou ironicamente: “Bravo, Paris Match!”

Após assumir o relacionamento com Holland, Valérie foi afastada da cobertura política e teve que encerrar um programa onde entrevistava políticos em um canal de TV a cabo. Apesar disso, a jornalista reafirmou o seu perfil de mulher independente ao declarar que não pretende ser apenas uma primeira-dama.

Em entrevista à revista Elle, Valérie afirmou que deseja continuar exercendo a sua profissão e que pretende fazer um programa onde entrevistará personalidades estrangeiras, para manter distância do seu comprometimento político e não atrapalhar o trabalho do novo presidente.

“Quero continuar trabalhando para ter minha independência. Tenho três filhos adolescentes e não ficarei confortável em sustentá-los com os recursos do governo francês”, disse.

Publicado originalmente no Jornal Correio*, em 15/05/2012

Londrinos vão às urnas para escolher novo prefeito

Sete candidatos disputam o comando da da capital inglesa. Saibam como uma das maiores cidades do mundo consegue ser eficiente com apenas 600 funcionários na prefeitura

Eduardo Pelosi, direto de Londres
A famosa Tower Bridge e a Prefeitura de Londres (Foto: Eduardo Pelosi)
A famosa Tower Bridge e a Prefeitura de Londres

Violência, transporte público, moradia, desemprego e greves. Esses são alguns dos vários problemas que Salvador enfrenta nos últimos anos. Na reta final para as eleições municipais, moradores de outra grande metrópole discutem os mesmos problemas. Nesta quinta-feira (3), os eleitores vão às urnas em Londres para escolher o seu novo prefeito. O resultado deve ser divulgado amanhã.

Ao todo, são sete candidatos disputando o principal cargo político da capital da Inglaterra. De acordo com a última pesquisa eleitoral – publicada pelo jornal London Evening Standard/Agência ComRes – o atual prefeito, Boris Johnson (Partido Conservador), é o favorito para tirar a cidade da recessão econômica, com 45% das intenções de voto. Johnson rivaliza com o ex-prefeito, Ken Livingstone (Partido dos Trabalhadores), que é o segundo colocado nas pesquisas com 36%, os outros candidatos somam 18% dos votos.

Na última pesquisa, os eleitores também apontaram quais os maiores problemas que o novo prefeito deve dar prioridade. Entre eles estão: custos do transporte público (indicado por 63% dos entrevistados), moradia (47%), segurança pública (38%), melhor gestão dos impostos (32%), melhoria das condições sociais no subúrbio (32%) e o sucesso/legado dos Jogos Olímpicos de 2012 (16%).

Enquanto Salvador sofre com um transporte público precário e um metrô que está há mais de doze anos em construção, Londres tem uma enorme reputação no setor. Com o metrô mais antigo do mundo, a capital do Reino Unido tem uma rede de 402 km, 270 estações e 11 linhas, que atende 1,1 bilhão de passageiros por ano. Entretanto, a complexa estrutura de transporte sofre com superlotações, atrasos, greves e trens degradados.

Boris Johnson ganhou popularidade com a implantação do sistema público de aluguel de bicicletas (Andrew Parsons / Divulgação)
Boris Johnson ganhou popularidade com a implantação do sistema público de aluguel de bicicletas (Andrew Parsons / Divulgação)

Na semana passada, uma greve de 72 horas realizada pelos funcionários das linhas Jubilee, Piccadilly e Northern – que reivindicam melhores benefícios e inclusão no sistema de previdência da empresa de transportes – causaram inúmeros atrasos e superlotações nas outras linhas do metrô. O caos gerado pela greve foi alvo de duras críticas por parte da população e colocou em dúvida a capacidade do sistema para receber uma grande demanda extra, como acontecerá durante as Olimpíadas.

Uma das alternativas para fugir do stress no trânsito e dos metrôs lotados em Londres é utilizar o sistema público de aluguel de bicicletas. Inaugurado em 2010, o serviço conta com 8 mil bicicletas em 570 estações espalhadas pela cidade. Pagando apenas 2 libras esterlinas, o equivalente a R$ 6, é possível utilizar a bicicleta por um período de uma hora. Mais de 150 mil pessoas já utilizaram o esquema, que é elogiado pelos usuários do serviço e é uma das grandes realizações do atual prefeito.

Se na capital baiana os altos índices de violência geram números expressivos, com 53,1 homicídios para cada 100 mil habitantes (SSP), em Londres são apenas 1,6 homicídios para cada 100 mil habitantes (ONU). Entretanto, a violência ainda é uma das grandes preocupações e um dos principais pontos de debate durante a campanha. Apesar do atual prefeito e favorito nas pesquisas, Boris Johnson, ter diminuído o número de homicídios pela metade, a contagem de furtos, assaltos, brigas entre gangues e violência sexual cresceu nos últimos anos.

No ano passado, uma série de tumultos e atos violentos marcaram o verão na capital inglesa. O que começou como um protesto pacífico sobre o assassinato de um jovem negro por policiais, gerou uma série de saques e incêndios criminosos por toda a cidade durante cinco dias. A reação demorada da polícia foi alvo de críticas ao primeiro ministro David Cameron e ao prefeito Boris Johnson. Como resultado, cinco pessoas morreram e 16 ficaram feridas, além de um prejuízo financeiro estimando em mais de R$ 600 milhões na economia local.

Ken Livingstone, ex-prefeito e segundo colocado nas pesquisas para prefeito de Londres (Foto: Annette Boutellier/ Divulgacao)
Ken Livingstone, ex-prefeito e segundo colocado nas pesquisas para prefeito de Londres (Foto: Annette Boutellier/ Divulgacao)

Com a recessão econômica, outra grande preocupação é o crescimento da taxa de desemprego – que pulou de 2,5% em 2008 para 4,4% nos últimos meses, de acordo com o Escritório de Estatísticas Nacionais. Entre os jovens de 16 a 24 anos, que já trabalham ou trabalharam e estão a procura de um novo emprego, a taxa de desemprego já chega a 14%, de acordo com o Centro de Inclusão Econômica e Social. Com os altos custos para cursar uma universidade na Inglaterra, não trabalhar é opção apenas para uma pequena fatia dos jovens que pretendem continuar estudando após concluir o ensino básico.

O novo prefeito de Londres tem uma lista interminável de desafios para enfrentar e, cada promessa feita pelos candidatos será cobrada pelos eleitores, que acompanham de perto a gestão municipal. A cada seis meses, os moradores da cidade podem participar de uma reunião semestral de duas horas com o prefeito e os deputados para cobrar antigas demandas e discutir os novos problemas. Para Salvador, ainda faltam cinco meses até as eleições e um longo caminho até que a cidade possa suprir todas as necessidades do soteropolitano.

Período eleitoral

Durante a campanha eleitoral (desde 20 de março até hoje), existe um valor máximo que limita os gastos dos candidatos. Um candidato a prefeito pode gastar, no máximo, R$ 1,2 milhão. Sem horário eleitoral gratuito, os candidatos precisam percorrer toda a cidade, visitar universidades, organizações, hospitais e escolas e expor suas ideias diretamente para a população. Além disso, a Internet é ferramenta fundamental para os candidatos aprofundarem suas propostas e interagir com a população. Não existem coligações partidárias, então cada partido lança seu candidato que defende os ideais e bandeiras específicos da agremiação.

Os debates ocorrem nas semanas anteriores à votação em canais de televisão e emissoras de rádio e são mais descontraídos, sem muitas regras, réplicas e tréplicas, como no Brasil. Nos debates televisivos, apenas os cinco candidatos mais expressivos discutem abertamente os temas, confrontam ideias e são questionados pela plateia, formada por eleitores, e pelo jornalista mediador. Apesar de não existir uma cronometagem para as respostas, candidatos precisam responder as perguntas de forma direta e objetiva para não serem interrompidos pelo mediador.

O prefeito de Londres terá ao seu comando uma estrutura que agrupa 600 funcionários da prefeitura. Além disso, ele será responsável por cuidar do transporte público (através da Empresa de Transportes para Londres), do Corpo de Bombeiros e da Polícia Metropolitana. Tudo isso com um orçamento anual de, aproximadamente, R$ 44 bilhões.

Além do prefeito, os eleitores vão escolher os 25 deputados da Assembleia de Londres e são responsáveis por fiscalizar a administração municipal e aprovar ou rejeitar o orçamento público. A Assembleia também é responsável por escolher alguns de seus membros para gerenciar a Empresa de Transporte Público e o Corpo de Bombeiros. Os serviços de coleta de lixo, agência de emprego, escolas públicas, e atendimento ao cidadão ficam sob a responsabilidade de 33 conselhos locais, que atuam de forma independente como sub-prefeituras.

Compare os dados de Londres e Salvador:

Londres

  • População: 7.753.600 (região metropolitana)
  • Área: 1.572 km2
  • Salário do prefeito: R$ 36 mil
  • Número de deputados: 25
  • Salário dos deputados: R$ 13.500
  • Orçamento anual: R$ 44 bilhões
  • Número de funcionários na prefeitura: 600
  • Metrô: O mais antigo do mundo (149 anos), com 402 km de linhas
  • Homicídios/100 mil habitantes: 1,6
  • Taxa de desemprego: 4,4%

Salvador

  • População: 4,866,004 (região metropolitana)
  • Área: 706 km2
  • Salário do prefeito: R$ 10.400
  • Número de vereadores: 41
  • Salário dos vereadores: R$ 9.200 (Verba total R$ 41 mil)
  • Orçamento anual: R$ 3,7 bilhões
  • Metrô: Há mais de 12 anos em construção, apenas 6km de linhas e ainda não foi inaugurado
  • Homicídios/100 mil habitantes: 53,1
  • Taxa de desemprego: 17,3% (Março/2012 – SEI)

Matéria publicada originalmente no Jornal Correio*, em 03/05/2012

Faltam 100 dias para as Olimpíadas de Londres

LONDRES – Faltam exatamente 100 dias para o início dos Jogos Olímpicos de Londres. A cidade finaliza a construção, reforma e adaptação de mais de 30 locações que serão palco de 26 esportes, além da vila olímpica, dos transportes públicos e da infraestrutura turística. Somente o parque olímpico, ocupa uma área equivalente a 357 campos de futebol. Esta será a terceira vez que a cidade receberá os jogos, que movimentam aproximadamente 14 bilhões de reais na economia local. Mais de oito milhões de pessoas vão comparecer aos eventos esportivos e a expectativa é que a cerimônia de abertura seja assistida por 4 bilhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar de tantos números positivos, os britânicos não são totalmente simpáticos com a ideia. Em recente pesquisa realizada pela BBC, 64% dos moradores do Reino Unido acham que os impostos pagos por eles não deveriam ser utilizados para custear parte dos jogos. Na Escócia, 69% dos entrevistados são contrários ao uso do dinheiro público para a realização dos jogos e apenas 18% concordam com a iniciativa. Ao todo, são mais de nove bilhões de Libras Esterlinas retiradas dos cofres públicos para cobrir os custos.

O comitê organizador rebate a insatisfação geral e argumenta que mais de 70 mil ingleses irão trabalhar nos jogos como voluntários. Além disso, a grande movimentação da economia local, a grande exposição na mídia e a infraestrutura construída para os jogos são legados que vão beneficiar e influenciar gerações.

Daqui de Londres, a impressão que tenho é que eles debatem exatamente todos os pontos que estamos discutindo no Brasil com relação a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Há poucos meses dos jogos, nem tudo está pronto e nem tudo está decidido, o que mostra que os preparativos de última hora não acontecem apenas em países subdesenvolvidos.

Estúdio onde os Beatles gravaram toda a sua obra festeja 80 anos

A incrível viagem pela história da música pop pode ser realizada nessa sexta, sábado e domingo, em duas sessões diárias, em celebração aos 80 anos do Abbey Road Studios

por Eduardo Pelosi, de Londres
O Estúdio 2 de Abbey Road, na capital da Inglaterra, foi onde The Beatles gravaram todos os seus sensacionais álbuns e também recebeu outros ícones da música pop e do rock’n’roll. Foto: Victor Roncally
O Estúdio 2 de Abbey Road, na capital da Inglaterra, foi onde The Beatles gravaram todos os seus sensacionais álbuns e também recebeu outros ícones da música pop e do rock’n’roll

Atravessar a faixa de pedestre que ficou famosa na capa do disco Abbey Road, dos Beatles, já é uma experiência única para quem visita Londres e gosta de cultura pop. Imagine então entrar no estúdio onde nomes como Beatles, Pink Floyd, Duran Duran, Michael Jackson, Queen, James Taylor, Red Hot Chili Peppers, Foo Fighters e Amy Winehouse gravaram sucessos?

A incrível viagem pela história da música pop pode ser realizada nessa sexta, sábado e domingo, em duas sessões diárias, em celebração aos 80 anos do Abbey Road Studios. O outro fim de semana comemorativo aconteceu nos dias 9, 10 e 11.

Entrar no estúdio é realmente um privilégio para quem conseguiu comprar um dos disputados ingressos para as cerimônias comemorativas – cada tíquete custou o equivalente a R$ 215.

Nos corredores de Abbey Road é possível ver centenas de fotos inéditas de grandes músicos em ação. O tour é guiado diretamente para o Estúdio 2, principal sala e onde foram gravados discos como Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.

Dentro do estúdio, Brian Kehew e Kevin Ryan – autores do best-seller Recording with The Beatles – contam, após 20 anos de pesquisa, como Abbey Road começou a gravar artistas de sucesso, mostram fotos raras, vídeos e áudios das gravações em 90 minutos de palestra. E revelam como Lennon, Paul McCartney e Syd Barret compunham.

Os Beatles e o produtor George Martin no estúdio, na década de 60
Os Beatles e o produtor George Martin no estúdio, na década de 60

“Foi aqui onde começaram, também, as primeiras experiências com a tecnologia estéreo – que permite gravar instrumentos diferentes separados em dois canais”, afirma Kehew, que também é produtor musical.

O público acompanha tudo sentado nas cadeiras onde alguns dos principais artistas musicais do século XX sentaram para gravar seus clássicos. Durante a apresentação, é possível descobrir que, na primeira sessão com os Beatles, ninguém no estúdio estava interessado em mais um grupo de jovens garotos que tentavam emplacar.

Segredos

“O primeiro disco do grupo, Please, Please Me, era mencionado pelo estúdio como um dos seus ‘dez últimos lançamentos’, junto com nomes que, na época, eram muito mais famosos e hoje são esquecidos”, afirma Kehew.

Nem o célebre produtor George Martin, conhecido como o quinto beatle, assistiu as primeiras gravações da banda. Ele enviou o seu auxiliar, Ron Richards, que depois das primeiras sessões alertou Martin para o talento dos garotos de Liverpool.

Outros segredos deliciosos são contados: os integrantes do Pink Floyd carregavam nas costas máquinas registradoras, taças de cristal e peças de ferro velho que utilizavam para gravar os ruídos inovadores em suas músicas, enquanto Paul McCartney utilizava um velho depósito para tocar piano e conseguir o eco desejado em Strawberry Fields Forever e A Day in the Life.

O estúdio Abbey Road sempre teve os equipamentos mais modernos da história e, por isso, sempre recebia ligações de John Lennon, Paul McCartney e outros artistas pedindo um microfone ou um piano emprestado.

Cinema

Além de ser o berço de pérolas que embalam dezenas de gerações, Abbey Road foi palco de gravações de trilhas de filmes consagrados como Star Wars, Senhor dos Anéis, 300, Apollo 13, Shrek, Harry Potter e o Discurso do Rei. Este último utilizou o microfone original do Rei George VI, cedido pela coroa britânica para que o ator Colin Firth gravasse as falas do famoso discurso.

Ao final da exibição, o público é convidado a ver os equipamentos que estão em exposição, incluindo instrumentos raros, microfones e mesas de som, e pode conhecer cada pedaço do estúdio.

Para completar a viagem musical muito especial, cada um pode levar um “pedacinho” do Abbey Road Studios para casa, comprando livros, camisetas, bolsas e até guarda-chuvas comemorativos.

O Abbey Road Studios, aliás, segue em plena atividade e, recentemente, gravou o tema para os Jogos Olímpicos de 2012, que acontecem em Londres, novas gravações de Paul McCartney, David Bowie e Radiohead, além das perfomances para o programa de televisão Live from Abbey Road.

Beatles imortalizaram faixa de pedestres de Abbey Road

A fama mundial do Abbey Road Studios se firmou com a capa do disco dos Beatles, Abbey Road, de 1969, que mostra John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison atravessando a faixa de pedestres – em frente ao estúdio – da rua homônima. Em 2010, a faixa de pedestres foi declarada patrimônio da Inglaterra. “É a cereja do bolo de um grande ano”, declarou Paul. Incluído na lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame, Abbey Road é, também, o disco mais famoso dos Beatles e, para o produtor George Martin, o melhor da carreira da banda. Apesar de ter sido o penúltimo álbum lançado pelo quarteto, foi o último a ser gravado, já que Let it Be, de 1970, teve suas canções gravadas alguns meses antes das sessões de Abbey Road. Foi também o trabalho em que Harrison, após anos vivendo na sombra de John Lennon & Paul McCartney, se firmou como um grande compositor e emplacou os hits Here Comes the Sun e Something. O disco foi marcado pelo uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época, como o sintetizador Moog. Uma curiosidade: a versão em vinil de Abbey Road domina as vendas do gênero nos EUA desde 2009.

20 hits que marcaram a história de Abbey Road:

  • Fats Waller Plays Ain’t Misbehavin’ (1939)
  • Vaughan Williams Symphony Nº 5 (1943)
  • Cliff Richard Move It (1958)
  • Ruby Murray Bambino (1959)
  • Peter Sellers and Sophia Loren Goodness Gracious Me (1960)
  • Shirley Bassey Goldfinger (1965)
  • The Beatles Twist and Shout (1963)
  • The Hollies Bus Stop (1966)
  • The Beatles Revolution (1968)
  • Pink Floyd Money (1973)
  • Buzzcocks Noise Annoys (1978)
  • Kate Bush All We Ever Look For (1980)
  • Duran Duran Notorious (1986)
  • Radiohead Creep (1993)
  • Radiohead Fake Plastic Trees (1995)
  • Oasis Stand by Me (1997)
  • Radiohead Paranoid Android (1997)
  • Kanye West Touch the Sky (2006)
  • Panic! at the Disco Pas de Cheval (2008)
  • Florence and The Machine What the Water Gave Me (2011)
Matéria publicada originalmente no Jornal Correio* e no Portal iBahia, em 22/03/2012

Keane divulga capa do novo álbum

O grupo britânico Keane divulgou, na manhã desta quarta-feira (7), a capa do seu novo disco, Strangeland, que será lançado no dia 7 de maio. Este será o quarto disco do grupo do grupo formado em 1997, que se destacou por tocar apenas com o conjunto de bateria, voz e piano. O disco, que começou a ser gravado em fevereiro de 2011, promete retomar o sucesso conquistado com os dois primeiros álbuns (Hopes and Fears e Under the Iron Sea) e tem alguns nomes de músicas já revelados: “Silenced By The Night”, “Day Will Come”, “Watch How You Go”, “You Are Young”, “Disconnected” e “Sovereign Light Café”.

Confira a capa do disco: